Às vezes perguntam-me: “Victor, o que é para ti o 25 de Abril?”
E eu respondo: “É uma mulher nua que entra pelo quarto a gritar, Victor, acorda, está a haver uma revolução!”

Tinha eu então 23 anos e estudava na Escola Superior de Teatro. Por isso, vivia em Lisboa. Dormia eu descansado nos braços da então bem-amada quando alguém entra no meu quarto aos berros: “Victor, acorda, está a haver uma revolução! Vamos para a rua!”. Era muito cedo, quase de madrugada para os nossos hábitos normais. Foi uma pressa a vestir; lavar a cara penso que nem nos lembrámos disso. Peguei na máquina fotográfica e saímos, amontoados na minha Dyane. E partimos à procura da tão esperada Revolução…
De Benfica direto ao centro de Lisboa, por Monsanto, à procura da Revolução. Na Praça de Espanha, os primeiros sinais, afinal era mesmo verdade…
Entre gritos, cravos, tiros, soldados, gente, sobretudo gente, disparei a minha Nikkormat EL sempre que a situação o permitia.
“Foi bonita a festa, pá!”

Esta exposição viu pela primeira vez a luz do dia há 23 anos, em Albergaria a Velha, numa iniciativa da AlbergAR-TE, associação cultural, para comemorar os 25 anos da Revolução. Nestes 23 anos, esta memória em imagens percorreu diversos espaços, associações, escolas, sindicatos, sendo de destacar o Museo Nacional de Cáceres (Espanha) em 2004, a Reitoria da Universidade de Lisboa em 2012 ou o Cineteatro Alba em 2014.

Destas 25 fotografias algumas são as originais (algumas de coleções particulares), impressões analógicas feitas com um ampliador Durst M301, em papel Agfa 24×30 e 30×40, a partir de negativos 35mm Kodak Tri-X; outras são reproduções digitais impressas agora a partir dos negativos originais.

A exposição “Lisboa, 23 anos, 25 de Abril” vai estar patente ao público durante o mês de Abril na Biblioteca Municipal de Estarreja, integrada no festival Alavanca, organizado pela companhia de teatro Kopinxas.